A negra lagartinha - poema

Foi uma tarde de verão, 
Em um lugar distante,
Quando uma lagartinha
Negrinha, ela nasceu;

E não era novidade para o mundo
Tal nascimento, pois, simplesmente,
Pois, não foi a primeira vez
Que uma negra lagarta nasceu.

A família festejava a nova vida
E as plantas se preocupavam,
Pois uma lagartinha nasceu.

Passaram-se os dias,
Passaram-se as horas,
Veio a competição por alimentos,
Então a lagartinha, triste, chora.

Não conseguia entender o mundo;
Não entendia os seus irmãos;
Por que brigavam por alimento,
Uma vez que era possível
Dividir o pão?

Chorou... chorou... chorou...
Queria entender
A falta de amor.

Se há mais valia na vida
Por que os irmãos brigavam
Por um simples prato de comida?

Certo dia, ela ouviu dizer
Que os irmãos lutavam
Somente para sobreviver;

Que aquele rico país
pouco tinha a oferecer;
A uma negra lagartinha
Que acabara de nascer.

A lagartinha ficou a pensar:
Há aurífera riqueza
Mas o negro nada pode herdar?

Pensou em família do Norte,
Que vive em árida região
Onde se alimentar bem é sorte;

Ali ouro é o alimento
Que chega no prato
Daquela gente.

A lagartinha ficou duvidosa
Sobre a riqueza do Brasil
Que Caminha ousou dizer.

Mas mãe já lhe avisara
Sobre uma briga pelo poder
Opressão do forte ao mais fraco,
Pois, dizem que um precisa prevalecer.

São disputas econômicas
Que a lagartinha 
Não conseguia entender.

Se almeja-se ao ouro.
logo, os governantes tratam
O menos favorecido como tolo.

Com o tempo, a lagartinha,
Nos governos não confiava;
Mas quis provar a si mesma
Que aos irmãos amava.

Resolveu fazer uma ação séria;
Criaria uma ONG,
Que lutaria contra a miséria.

A ONG pouco durou,
A vida de inseto  é curta
E poder político 
Também não cooperou.

A lagartinha foi aprisionada
Dentro de um casulo
E passou a viver separada.

Imagina o vento a transportar;
Para um longínquo lugar,
Sem saber o que
Ali estava a lhe esperar.

Na triste condição de escrava
Nem imaginou que era sua cor
Que a vitimava

Mas como isso entender?
Se lagartinha sabia
Que não se escolhe uma cor
Quando vai nascer.

Mas algo veio lhe consolar,
Quando a fala da mãe
Começou a rememorar.

Dizia Dona Rosaleta
Que sua espécie nasce lagarta,
Mas, transforma-se em borboleta.

A tempestade cessou;
Em algum lugar, 
a lagartinha posou.

Era uma terra de mata virgem,
Onde uma árvore 
Que chorava sangue.
Dava-lhe vertigem

A angústia da lagarta aumentou.
_ É certo que a árvore
Sofre de algum mal; 
Tristemente pensou.

O tempo passou
Numa linda borboleta
A lagartinha se transformou.

Tão negra e tão bela
Que imaginou que a escravidão
Não era coisa imputada a ela.

Muitas borboletas negras
Ali habitavam,
A vida é dura,
Mas elas não desanimavam.

A beleza negra, nas flores
Dos lindos bosques, espalhava;
Nos verdes campos,
A borboletinha trabalhava.

A A borboletinha cresceu
E a inocência, perdeu;
Via irmãos morrendo de trabalhar
Sem nada poder falar.

Por isso, um grupo fugiu.
Estava cansado da escravidão
E rebelar
Foi a única opção.

O tempo passou e hades chegou,
Da penúria,
Por sua cor,
Acreditou que se libertou;

Mas notícias chegavam,
Não a faziam animar;
Diziam que suas lindas negras irmãs
Continuavam a lamentar.

Miséria, despreza,
Juntas escravidão e o preceito
Pareciam nunca acabar.


As negras lagartinhas
Continuavam a padecer;
Pela a miséria e a fome
Que tanto as faziam sofrer.

A cor negra, que é tão linda e tão bela,
Que nenhuma arte ousou menosprezar,
Até o tal  mundo, 
Valor a ela quer creditar.

Na escuridão do Hades
A borboletinha vive a se perguntar:
_ Não é possível conviver com
A negritude se a descriminar?

Vi lindas negras borboletas a revoar
Mas o mundo ocidental não quer enxergar,
Que a minha raça é capaz de bailar.

Vi um excelente maestro crioulão,
brilhar tanto no trabalho
Quanto àquele 
De distinta coloração;

Mas o Hades provará
Que não deve haver discriminação,
Que somos todos iguais,
De ração ou região.

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