A casa das 8 mulheres
Em uma cidade muito distante de Ribeirão das Neves viveu uma família muito engraçada. Essa não era uma família que trabalha em circo, ou que acabara de sair de um hospício, mas ela era umas das mais engraçadas que já existiu. Outra marca que distinguia essa família é que na casa vivia oito mulheres. A verdade é que não eram essencialmente oito mulheres, pois a cachorra e o peixe eram contados como membros da família feminina. Outra diferença dessa família era distinção tradicional de uma casa familiar em que se tem o pai, a mãe e os filhinhos. Lá, só viviam mulheres.
A perfeição nas coisas nem sempre existe; nesse grupo familiar não poderia ser diferente. Lá havia discussões. A maioria delas era por causa da comida: um dia um alimento ficava sem sal, outro, muito salgado, uma pessoa queria refrigerante dietético, outra preferia o normal e, outras coisas bobas assim.
Os vizinhos achavam aquela família muito estranha e maluca. Alguns afirmavam que as moças eram sapatões, outros diziam que daquela casa havia de surgir um forte movimento feminista.
As fofocas eram muitas. As mulheres tinham qualidades diferentes. Umas se destacavam pelas maluquices, outras pela feição e sentimento diferentes. Quando esse distinto grupo familiar se reunia, era uma festa só: muitas risadas, piadas, bobagens sem fim.
A maior dificuldade das seis criaturas era dividir as atividades domésticas. Por exemplo: no domingo, uma queria ir ao salão, mas tinha que limpar a casa; outra queria fazer a unha, mas tinha que lavar as roupas. E assim começavam o blá – blá – blá sem fim entre as moças.
Na casa viviam: uma menina que tinha dez anos, a segunda tinha doze, a terceira tinha dezesseis anos, a quarta tinha vinte e um anos, a quinta, quarenta anos e a sexta, quarenta e seis anos. A garota de dez anos era toda doidinha, não se importava com nada; a de doze anos era chamada pelos vizinhos de retardada e chata; a adolescente se achava tal, a melhor; essa era muito maluca e não falava coisa com coisa. A prova da maluquice dessa menina era a recaída sentimental que ela tinha a garota de doze anos: uma amizade bem entrelaçada que constrangia o grupo, que se dizia amar um ao outro de maneira igual; a moça de vinte e um anos era diferente: queria ser certinha e reprovava a amizade exagerada entre a adolescente e menina de doze anos. O certo é que naquela casa era impossível que as coisas ocorressem de forma toda certinha. A mulher de quarenta anos também era maluca. Fazia coisas estranhas como perguntar pelo interfone quem estava falando sem ninguém o acioná-lo. Ela dividia o quarto com a amiga de quarenta e seis anos; essa era mandona, pois tratava a de quarenta como um homem trata a uma mulher. Além dessa qualificação, ela tinha outras que chamavam a atenção das companheiras: era uma mulher sem noção das coisas, pois imaginava uma vida recheada de facilidades e, gostava de rir escandalosamente.
Sobre a vida sentimental; é... nossa! A menina de dez anos; são apenas dez anos, né! Não vale. A de doze anos; prefiro não falar nada. A de dezesseis era toda apaixonada. A de vinte e um anos dizia namorar a cinco anos; era toda sentimental. A mulher de quarenta anos, havia acabado o relacionamento com um moço que conhecera na faculdade, desde que finalizara o curso. A de quarenta e seis anos ficou casada por uns anos; se separou do marido ao conhecer um rapaz e a mulher de quarenta na faculdade em que estudava. O relacionamento com o colega de curso não deu certo. Ficou muito deprimida e foi consolada pela amiga de quarenta anos. Depois disso, nunca mais reclamou a presença de um homem.
A verdade é que a vida, dessas mulheres, é muito esquisita e distinta da vida social feminina comum. É isso que as fazem muito engraçadas. Essas mulheres!
Ana Carolina . Ensino Fundamental
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