A varanda da esperança

Bruna esperava ansiosamente que o dia amanhecer deitada numa cama. Ela estava tão ansiosa que mal conseguia dormir. Esperava que o sol nascesse e que a lua manifestasse o adeus. Ninguém sabia o motivo da ansiedade de Bruna para que o dia amanhecesse. Era como um segredo. Finalmente o dia amanheceu.

Às sete horas da manhã, Bruna se levantou e lavou o rosto; penteou o cabelo e, antes de fazer qualquer outra coisa, pegou logo o melhor amigo, o banquinho, e se sentou na varanda da casa. A varanda parecia igual às outras, mas não era. Essa era chamada por Bruna de a “Varanda da Esperança”. É nela que a garota espera va todos os dias por alguém especial. É dela que Bruna observava passar pela rua uma pessoa especial. Ao vê-la passar, Bruna transformava os segundos em uma infinidade de tempo. Quando a pessoa desaparecia Bruna cria que o relógio se tornara o seu adversário. Dava-lhe uma ânsia, uma dor no coração. Tudo era inexplicável, indizível. Então a garota punha-se a perguntar: quando ele voltará. De repente a menina olha para o lado e dava um forte suspiro. O garoto estava a retornar. Bruna ficava sem palavras todas as vezes que olhava para o menino. Parecia igual à primeira vez em que ela o viu. Rapidamente sorriu . O coração estava pulando de alegria, quase saindo pela boca, só de vê-lo. As mãos da garota ficaram trêmulas, frias
e transpiradas; ela só conseguira dar um tchau para o menino.

Após uns minutos a refletir, Bruna se recolheu deixando na mente a imagem do garoto. Ela estava muito feliz. Estava como uma flor desabrochada: linda. O dia da garota se tornou maravilhoso, pois na memória permanecia viva a cena do garoto passado defronte à varanda e a certeza de que ela o olhou face a face. Parecia que o rapaz sorria para a garota, pois ele costumava dizer que o sorriso dele valia mais do que mil palavras.

Isso não não passava de uma fantasia e a garota tinha consciência disso, porém, ela nunca perdeu a esperança de que fantasia um dia se tornaria realidade. Sabia que era necessário esperar o momento correto, mesmo que isso demorasse muito tempo. Enquanto a realidade não chegava, a garota se deleitava na fantasia. Até nos sonhos da Bruna, o menino estava presente.

Tudo se parecia real quando a Bruna se sentava na varanda. Ao afastar-se dali, a incerteza invadia o seu coraçãozinho adolescente. A verdade é que ela vivia dos pequenos gestos gerados pelo movimento garoto. Na varanda, cada suspiro da adolescente, ao ver o garoto, era como uma raiz de esperança que nascia no seu íntimo. Um grande calor a tomava de baixo para cima, o qual a fazia se estremecer de prazer. O rapaz ia e voltava, porém menina nada lhe falava. Ficava apenas a olhar para o seu delírio amoroso. No seu pensamento havia a certeza de que há esperança para o coração apaixonado. Dizia a si mesma:
— “Nunca perca a esperança, pois se ele tiver que ser seu amor, um dia estará em suas mãos, Bruna”.

É por pensar assim que a Bruna nunca desistia do seu sonho, que era o garoto que passava na rua. Ela sabia que não vivia uma fantasia, pois o menino existia e um dia haveria a oportunidade de se encontrarem e falarem olhos nos olhos. Por mais difíceis que fossem as barreiras que interpunham entre ela e o adolescente, cria que iria vencê-las e conquistar o coração do amado. Para ratificar seu pensamento positivo, a menina recorria à fé. Dizia que nada é impossível para Deus, por isso cria que Ele a ajudaria conquistar o garoto dos seus sonhos.

Certo dia, a garota foi até a varanda e ficou mais de uma hora a esperar a passagem do garoto. Então ele apareceu na esquina e passou tranquilamente em frente à varanda da casa da Bruna. Ele, sequer, olhou para a varanda da casa, onde estava a menina. Isso se tornou um contratempo para a adolescente que a levou a reflexão sobre o que o garoto pensaria ao seu respeito. Ela dizia amar o garoto, mas não era correspondida com o mesmo sentimento que tinha por dele. Ficou muito confusa, pois não sabia se realmente o adolescente lhe amava. Então perguntou a sua consciência?
—Será que eu amo sozinha? Será que não serei correspondida?

Muitas coisas ruins se passaram em sua cabecinha. Uma delas era a possibilidade de o garoto ter uma namorada. Nesse dia o tempo foi o principal adversário da Bruna. Cada segundo que passava permitia a comutação de idéias inóspita ao sentimento que cultivara para com garoto. A cada suspiro, as idéias renasciam ainda mais fortes. Porém a Bruna não deixou as idéias apagarem o sentimento que havia plantado no coração. Prometeu a si mesma que desceria da varanda e iria à busca do rosto pelo qual se apaixonara. Dizia a si mesma que nunca perderia a esperança de conquistá-lo. Não contou nada aos pais; por precaução, guardou todo o sentimento no coração, pois sabia que a realidade poderia ser tratada como ilusão.

Michele Batista Pimenel - Ensino Fundamental.

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