Garota má ponto com

Juliana nasceu em uma família abastarda. Por ser filha única, se tornara o xodó dos pais, tendo tudo o que desejava. Então cresceu se achando o centro de tudo. Iniciou o curso de idiomas na infância. A língua preferida dela era o inglês. Adora dançar, por isso fora matriculada numa escola de balé que se localizava próxima a casa dela, no bairro Savassi. A garota não tinha tempo para brincar com os filhos dos vizinhos. A melhor companheira dela era a babá. Essa velava pela menina durante os dias úteis da semana, pois os pais de Juliana não tinham tempo suficiente para estar ao lado da filha. Eram ausentes na vida da menina, mas trabalhadores. Eles faziam o possível para dar o que a filhinha pedia. Porém se esqueceram de que os presentes não substituem o carinho e a atenção dos pais.

Juliana começou a freqüentar uma escola primaria. Não participava das brincadeiras com as colegas. Ficava a observar as crianças brincarem de pega-pega. Ela tinha vontade de participar das brincadeiras, mas não era apta a brincar em grupo, por isso morria de inveja dos colegas. Passaram-se alguns dias e a menina começou a se relacionar com algumas amigas de sala. Quando Juliana falava às coleguinhas, contavalhes detalhes a respeito das aulas de balé, do curso de inglês, dos amigos virtuais e dos desenhos que gostava de assistir na televisão a cabo. Quando só, ficava a cantar músicas em inglês. Algumas alunas achavam a Juliana muito “metida” e pensava que a menina gostava de se esnobar perante elas. E isso era um fato: a garota gostava de humilhar as bolsistas da escola.

Devido à prepotência de Juliana, ela não tinha amiga. Porém, na escola surgiram umas falsas colegas que permanecia ao seu lado só para aproveitar dos recursos financeiros de Juliana. Essas colegas pediam à garota que levasse bastante lanche para a escola, pois assim poderiam lanchar juntas. Outrora pediam à menina presentes de aniversário. Inventavam data de aniversário somente para ganharem presentes. Após se apartarem de Juliana, as falsas colegas não perdiam a oportunidade de falarem mal dela. Juliana parecia ter conhecimento da atitude das falsas colegas, mas não se importava, porque tinha o prazer em praticar a vingança. Juliana era conhecida na internet como a garota má.com. É isso mesmo. As falsas colegas criaram uma comunidade para Juliana com esse nome.

A menina cresceu. Na fase da adolescência se tornara a pior aluna da escola: ela batia e xingava os colegas; fazia e acontecia na escola. Chegou ao ponto de falar mal dos colegas de classe que sequer a cumprimentavam.

O Jonathan era o menino mais íntimo de Juliana, porém, nem ele escapou da felina garota. A verdade é que o garoto não concordava com as atitudes de Juliana, mas aceitava tudo em silêncio. Por isso os colegas de Jonathan achavam que ele era um garoto bobo, pois aceitava ser humilhado pela Juliana; mas ele ignorava os colegas. Além de ter tais qualificações acima, a garota tinha outras horríveis; uma delas era o preconceito. Ela não gostava de pobres, negros e deficientes. Para Juliana, as pessoas deveriam nascer ricas, brancas, de cabelos lisos e de olhos claros.

O pai de Juliana tinha um negócio ilegal, que lhe rendia muito dinheiro. Diziam que até a banheira da casa dela era banhada a ouro. Os móveis eram super-luxuosos. Quando Juliana cursava o ensino médio, houve um acontecimento que a abalou. O pai fora preso, a Receita Federal descobriu as falcatruas do moço. Para complicar ainda mais a vida da moça, sua mãe fora despedida da empresa em que era gerente, pois estava envolvida no negócio ilegal do marido. A situação financeira da família arruinou-se. A mãe de Juliana decidiu mudar-se de bairro. Após comprar uma casa em um bairro de classe média baixa, eles se mudaram sem se despedirem da vizinhança.

Devido à situação financeira da família de Juliana, a garota acabou sendo matriculada em uma escola pública. No início, a adaptação da menina foi muito difícil. Juliana descobriu que a vida na escola pública não é mole. Percebeu que lá “quem mexe, apanha”. Devidos às muitas brigas da garota com os colegas de escola, houve a necessidade dela se transferir para outra escola. A verdade é que ela foi obrigada a se transferir, pois a maioria dos alunos era de cor parda ou negra e de classe média baixa; mesmo assim, eles se consideravam gente e não aceitavam ser humilhados por uma garota branca metida a “patriçinha”.

Juliana se transferiu. Na outra escola pública houve os mesmos problemas. Os pais de Juliana foram convocados. Reuniram-se todos os alunos para uma audiência com mãe da garota. Decidiu-se em um consenso, que a comunidade escolar apoiaria a mãe de Juliana na tarefa de conciliar a filha com a nova realidade financeira que eles viviam. A assembleia escolar deu à Juliana a oportunidade de mudar o comportamento. A menina teve que aceitar a verdade de que ela não mandava em ninguém e que devia obedecer às regras da escola. Percebeu que naquele espaço público, o negro, o branco, o pardo e o deficiente desfrutam dos mesmos direitos e deveres, por isso eles convivem harmonicamente.
                                                                                                                         A. F. - Ensino Fundamental

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