O amor nasce na infância

Um dia duas crianças se encontraram em um parque da cidade de Neves. Eles tinham oito anos, aproximadamente. O amor entre os dois nascera à primeira vista. A menina se chamava Kelly e o
menino, Gustavo. Tudo se iniciou quando Kelly foi a uma loja comprar pipoca e se esbarrara no Gustavo. Esta trombada foi o necessário para que os dois iniciassem uma conversa.
—Desculpa-me, eu estava distraída. Disse-lhe a menina.
— Tudo bem, eu me pus ao seu caminho, por isso houve o choque. Falou o Gustavo a Kelly, aceitando o pedido de desculpa.
—Qual é o seu nome? Perguntou a garota.
—Eu me chamo Gustavo; e o seu?
—Eu sou a Kelly.
A longa conversa entre as duas crianças só fora interrompida com a chegada da mãe do garoto.
—Vamos embora, Gustavo. Disse-lhe a mãe.
—Tenho que ir, Kelly. Tchau!
—Tchau, Gustavo! Até mais.
Assim finalizou-se o primeiro encontro entre as duas crianças.

Havia-se passado uns anos após o primeiro encontro entre Kelly e Gustavo. Isso foi suficiente para que a menina vivesse uma vida vida normal. Todavia, o Gustavo não foi mais o mesmo depois que encontrou a menina no parque. Ele pensava nela continuamente e ficava se perguntando onde seria possível encontrar a Kelly. O adolescente nem conseguia estudar direito, tal era a introspecção que fora acometido. Porém Kelly parecia haver esquecido aquele momento. Para ela, tudo na vida é passageiro. Por isso estava a curtir a outros garotos. A frase que ela usava para descrever as aventuras amorosas era “estou ficando com fulano, com cicrano”. Isso é a prova de que o Gustavo já era coisa do passado e de que ele não mais existia na memória da Kelly.

O destino reservou uma surpresa para o Gustavo: seus pais se mudaram para um bairro próximo a casa da Kelly. O garoto não sabia que a adolescente estava tão próxima a ele e tampouco a Kelly sabia que o menino havia se mudado para o seu o bairro. Certa manhã os dois se encontraram e, para surpresa do garoto, a menina comprava pão na mesma padaria que ele frequentava. Essa loja ficava próxima à casa do Gustavo. Ao perceber a menina adentrar à padaria, o adolescente se aproximou dela e disse:
—Oi! Você é a Kelly, né?
—Sim. Respondeu a garota encurtando a conversa.
—Você não se lembra de mim?
—Não e nem quero. Falou Kelly.
Gustavo foi para casa tão triste que chegou a chorar. A mãe do dele quis saber o motivo do choro, que a contou a verdade:
—Eu vi a Kelly; uma menina que conheci a alguns anos no parque.
Então a mãe desconversou:
—Que isso tem a ver com o choro?
— É que ela disse que não se lembra de mim.
A mulher consolou o filho e o pediu que desse tempo ao tempo.

No dia seguinte, Gustavo viu a Kelly aos beijos com um menino. Por isso, ele resolveu esquecer a amada. Foi à busca de uma menina que lhe ofertasse o amor que Kelly o negara. E foi com este objetivo que ele conheceu uma menina na escola e começou a namorá-la. Essa se chamava Raiane.

Ao saber do namoro do Gustavo com a Raiane, Kelly passou a tratar a garota como uma concorrente ao coração de Gustavo e quando viu o menino conversando com a Raiane na porta da padaria., ficou a observá-los e bolando um plano para separar o casal. Nesse ínterim, ela se lembrou de que o Gustavo era o garoto no qual ela havia se esbarrado no parque. Ao rememorar o passado, decidiu separar o casalzinho e fazer do Gustavo o seu novo afeto. Chegou a dizer para si mesma que iria fazer qualquer coisa para “ficar” com o menino. Para por em prática seu ataque, ela armou muitas coisas para tentar a separação do casal Gustavo e Raiane. Em princípio a tarefa parecia muito difícil, pois o casal parecia estar apaixonado. Então Kelly usou uma nova estratégia de conquista: iria falar pessoalmente com o garoto sobre o seu sentimento por ele.

No dia seguinte, Kelly foi à padaria buscar pães. Ela estava preparada para surpreender o Gustavo com um discurso sedutor e envolvente. Disse a si mesma que não poderia permitir ao garoto dizer uma só palavra. O seu discurso deveria ser suficiente para lhe fazer aceitar como a sua nova garota. Ao ver o adolescente, ela chegou a ele com uma voz sedutora e disse-lhe:
—Oi Gustavo! Posso conversar com você um momentinho?
—Pode falar. O que você quer?
—Eu queria pedir desculpas, pois a verdade é que eu te amo. Porém o dia em você me procurou, eu te tratei muito mal, pois estava nervosa com algumas coisas.
— Mas agora quem não te quer sou eu e isso é bom para você aprender a respeitar os sentimentos dos outros.
Após um momento de silêncio a garota continuou:
—Me dá uma chance.
— Não posso. Você não está vendo que eu estou muito bem com a Raiane? Além disso, você tem namorado; não é verdade? Replicou o menino com os olhos cheios de lagrimas.
—Então Gustavo, faça o que diz o seu coração. Persuadiu a menina ao garoto.

De uma esquina, Raiane observava o conversa de Gustavo e Kelly . Ela estava a caminho da padaria para comprar o pão para o café da manhã. Como a conversa entre o Gustavo e Kelly havia se prolongada, Raiane aproximou dos adolescentes e foi logo entrando na conversa:
— Por que será que as pessoas só dão valor a alguma coisa quando a perde ou quando quer atrapalhar o relacionamento de alguém que está feliz?
Gustavo ficou chateado com a intromissão da namorada. Para mostrar sua indignação com Raiane, disse a Kelly:
— Kelly, se você prometer se casar comigo, eu farei o que você me pediu.
— Lógico que eu caso. Respondeu prontamente a menina.

Os corações se reencontraram como a primeira vez no parque. Kelly terminou o namoro, mudou o comportamento e passou a namorar somente o Gustavo. A menina aprendeu com o Gustavo que os sentimentos devem ser respeitados e que a trajetória traçada pelo coração não pode ser manipulada, pois há casais que tiveram a vida amorosa escrita desde a infância e, como tal, esse fato não pode ser negligenciado por ninguém. Talvez isso explique a aceitação de Raiane do destino amoroso escrito pelos deuses para Gustavo e Kelly.

                                                                                                                                          Sinthia. Ensino Fundamental


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